“Giselle”

Balé romântico em dois atos
Libreto: Vernoy e Saint-Georges, Théophile  Gautier e Jean Coralli
Coreografia: Jules Perrot e Jean Coralli
Cenários: Pierre Ciceri
Música: Adolphe Adam
Figurinos: Paul Lormier
Estréia mundial: 28 de junho de 1841 no Théâtre de l’Academie Royale de Musique, em Paris. Carlota Grisi interpretou Giselle; Lucien Petipa, o conde Albrecht; Adèle Dumilâtre, Myrtha, Rainha das Willis; Jean Coralli, Hilarion.

O poeta Théophile Gautier, juntamente com o dramaturgo Jules-Henri Vernoy de Saint-Georges, baseado na obra De l’Allemagne (1835), de Heinrich Heine, criou o libreto do ballet Giselle, em homenagem à sua amada, a bailarina Carlotta Grisi.
O libreto foi pautado em um primeiro ato realista, que retrata as desigualdades sociais e o amor impossível de um nobre e uma camponesa, já no segundo ato há um contraste, trata-se de uma fantasia, um cemitério, em meio a uma floresta, repleto de seres etéreos, sobrenaturais, as Wilis.
Tal contraste em grande parte foi contribuição de Vernoy, que escolheu pela morte de Giselle no primeiro ato para que a transição pudesse ocorrer.
A música ficou sob responsabilidade de Adolph Adam, ficando pronta por completo em apenas 3 semanas, para tanto Adam utilizou-se de trechos do ballet Le Pirate, também composto por ele, um ano antes, tal prática era muito comum no passado, o que não prejudicou a partitura de Giselle.
Quanto à coreografia, esta ficou à encargo de Jean Coralli, tendo Jules Perrot, marido de Grisi, como mero colaborador, mas sem que ganhasse nenhum crédito por isso. No entanto, grande parte deste ballet foi coreografado por Perrot, principalmente os solos de Giselle, a cena da loucura, bem como a dança de Hilarion e as Wilis. Somente anos mais tarde, já no século XX, por intervenção de Serge Lifar, a Ópera de Paris incluiu o nome de Perrot como co-autor da coreografia.
O pas de deux Peasant foi inserido no ballet Giselle no último minuto, para Nathalie Fitzjames, em favor a uma influente patrocinadora, Mlle. Fitzjames, tendo sido dançado com Auguste Mabille.
O ballet foi um absoluto sucesso em sua estréia, aclamado pela crítica e pelo público, principalmente por apresentar todo o Corpo de Baile dançando com sapatilhas de ponta.
Após sua estréia em 1841, uma série de modificações corográficas foram feitas, primeiramente pelo próprio Julles Perrot e em seguida por Arthur Saint-Leon, no entanto a mais relevante foi a de Marius Petipa em 1887, tornando-se a versão mais conhecida desde então.

Ato I:

Alemanha

Um quente raio de sol abre o dia. É época da vindima. Num canto, meio escondida entre a vegetação, encontra-se uma cabana de camponês humilde e simples. Ao longe, em cima do rochedo, vê-se uma destas habitações feudais, onde o Duque Albrecht, lá do alto, viu passar uma doce e charmosa criatura. É Giselle, filha de Berthe. Albrecht, apaixonado, veste-se de vindimador e vai morar em frente da cabana de Giselle. Giselle acredita ser ele apenas um rapaz da vila chamado Loys e apaixona-se por ele. É de manhã e os camponeses partem para a vindima. Entra em cena Hilarion, o jovem guarda-caças da vila, que também está loucamente apaixonado por Giselle. Ele se dirige à casa dela e encontra com Berthe. O jovem Duque sai de sua cabana acompanhado de seu criado Wilfrid, que insiste para que Albrecht (Loys) não prossiga com este namoro, mas ele persiste, pois está encantado e ordena a seu criado para deixá-lo. Loys aproxima-se da cabana de Giselle, bate na porta e se esconde. A porta se abre. É Giselle que sai, ágil e alegre como todos os corações puros. “Ela vai dançar, pois não dança desde ontem”. Eles se encontram mas Hilarion interrompe o idílio de Giselle, lembrando seu amor por ela. Mas Giselle, apaixonada por Loys, repele Hilarion e, juntando-se alegremente às suas amigas e companheiros, comemoram o fim da colheita das uvas. Berthe, sua mãe, sai a sua procura. Ao vê-la adverte, pois Giselle é frágil do coração. A fadiga, as emoções lhe serão fatais: “Você acabará morrendo e irá se transformar em uma Willi, e irá ao baile mágico onde levará os viajantes na ronda fatal. Você será uma vampira da dança”. Assim, Giselle é forçada a entrar na cabana. Soam as trompas de caça e Wilfrid aparece para avisar ao seu senhor que um grupo de nobres se aproxima. Hilarion observa, e na primeira oportunidade, entra na cabana de Loys, a fim de desvendar o mistério que o cerca. o grupo de caça chega, junto com o príncipe e sua filha Bathilde, noiva de Albretch (Loys). O calor do dia os incomoda e procuram aquele lugar para descansar. Bathilde se encanta com a dança de Giselle e descobrindo que ela está comprometida e apaixonada, dá-lhe um colar de presente. Eles se retiram, o Príncipe ordena que deixem uma trompa para chamá-los em caso de necessidade. Isso faz com que Hilarion compare os brasões da trompa com os da espada de Loys. Finalmente, tendo em mãos a oportunidade de desmascarar Loys, Hilarion espera o momento em que todos estão presentes e conta toda a verdade. Giselle não acredita. Hilarion, então, toca a trompa e aparece o Príncipe acompanhado de Bathilde. Loys (Albrecht), fica perplexo e confuso, mas quando Bathilde declara que Albrecht é seu noivo, o choque tira a razão de Giselle. Uma sombra de delírio a invade. É a loucura. Giselle, por um momento, revive seu amor por Loys, mas a dor é grande e tomando a espada, crava-a em seu corpo.

Ato II:

Soa a meia noite sob a terra fria da floresta. Lugar sinistro, de árvores com troncos torcidos e entrelaçados, que possui uma atmosfera de suspiros e lágrimas. É o lugar onde se passa o baile mágico da Willis. Elas são os espíritos das jovens que foram enganadas e morreram antes do dia do seu casamento. Elas se reúnem ali e obrigam jovens rapazes a dançar até a morte. É meia noite, hora lúgubre, e Hilarion está ali de vigília na sepultura de Giselle. Surge uma sombra transparente e pálida. É Mirtha, a rainha das Willis. Ela evoca forças e com um galho de alecrim toca todos os cantos, fazendo surgir outras Willis que se agrupam graciosamente em torno dela. Neste momento, elas tiram Giselle de sua sepultura para iniciá-la em seus ritos. Ela dança com suas graciosas irmãs, mas um barulho ao longe faz com que todas Willis se dispersem e escondam no bosque. É Albrecht, que chega trazendo flores. Giselle surge para ele. O seu amor por ele ainda vive… Albrecht tenta pegá-la mas ela desaparece… Ele sai à sua procura… Neste momento, Hilarion é pego pelas Willis. Mirtha, a rainha, ordena-o a dançar até a exaustão, fazendo-o cair nas profundezas do lago. As Willis começam então uma orgia alegre, dirigida por sua rainha triunfante, quando uma delas descobre Albretch e o traz para o círculo mágico. Mas no momento em que Mirtha vai tocá-lo, Giselle se lança na frente de Albretch, protegendo-o. Giselle leva-o à proteção da cruz em seu túmulo, mas Mirtha usa seu poder sobre Giselle para forçá-la a dançar. Albrecht não suporta e abandona a cruz que o preservava da morte e aproxima-se de Giselle. Eles dançam até que Albrecht cai de exaustão. Mas neste momento surge a aurora, quebrando o poder da Willis. O amor de Giselle por Albrecht salva-o.

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3 Respostas to ““Giselle””

  1. Olá…Sou uma aluna da área de música e tenho que fazer uma prova de aptidão profissional cujo tema será o Bailado giselle. Gostaria de saber se não era possivel conseguires o libretto deste bailado.
    Se fosse possível agradecia muito.

    Já agora, excelente trabalho…
    Espero resposta

  2. Ireamos providenciar…

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